Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Adeus

Foto de Rita Carmo






"O meu pai anda sempre a magicar com uma ideia. Vou-lhes contar a última que ele diz.Ele diz que quando somos concebidos habitamos na barriga das nossas mães como uma pequena luz perdida num espaço infinito. Não vemos, não ouvimos e flutuamos no silêncio e na escuridão, o tempo não existe. Mas o nosso corpo cresce lentamente e vamos começando a sentir as coisas, a tocar as paredes do nosso mundo. Depois começamos a ouvir sons e a sentir choques que nos chegam do exterior. À medida que vamos crescendo a distância entre nós e esse outro mundo fica mais pequena e o espaço que parecia tão infinito torna-se pequeno demais. E temos que nascer. O meu pai diz que quando nascemos estamos aterrorizados e pensamos para nós mesmos "pronto, a minha vida acabou", mas não é o fim, é apenas o começo. Então chegamos a esta vida. No princípio somos muito pequenos e o mundo parece infinitamente grande, o tempo infinitamente longo mas continuamos a crescer, desenvolvemos os sentidos, a mente, aprendemos de novo a tocar os limites, as paredes do nosso mundo. Mas às vezes através dos sons e sensações deste mundo ainda ouvimos sons e sentimos choques que nos chegam de outro mundo. Temos medo deles e dizemos a nós mesmos "isto é a morte", e quando a morte chega sentimos de novo "isto é o fim". Mas o meu pai acredita que isso não é o fim, é apenas o começo de qualquer outro mundo."

Lisboa, 2004

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Quase, quase 1 ano!

Continua simpático e risonho, gosta de música e cantarola quando está contente, dança aos pulinhos, anda agarrado aos móveis ou às nossas mãos, faz muitas gracinhas: imita-nos a tossir, bate palminhas, diz adeus, manda beijinhos, imita um peixe!, faz o barulho do carro quando vê carros ou imagens de carros, pede comida!, dá-nos a chucha (e na escola rouba as chuchas todas que pode aos colegas)...







Quinta-feira, Julho 19, 2007

3 meses e um dia

Está tão crescido!




Sexta-feira, Junho 08, 2007

da maternidade


Já sou mãe do João há quase dois meses, mais precisamente faltam 10 dias para ele fazer dois meses.

Neste momento pesa 6 kg (seis!) e mede 60 cm. O seu único alimento é o meu leite. Palra muito, continua a gostar de música e a escutá-la atentamente, gosta muito de água e de estar nu.

Estes dois primeiros meses foram difíceis, ele é muito chorão (parece que os bebés nascidos com a ajuda dos forceps são mais rabujentos...), guincha alto quando não está bem e a mim isso não me parece bem. Podia conversar civilizadamente, com calma explicava o que o incomodava e eu, que até tenho muito boa vontade, tudo faria para o ajudar.

Depois há as cólicas, as velhacas, dão-me conta dos tímpanos. No início ele não tinha cólicas, eu andava exausta porque não dormia e tinha sempre muitas coisas para fazer mas pelo menos tudo parecia correr bem. Após 2 ou 3 semanas começaram as cólicas. É claro que nessa altura eu já não tinha coragem de o ir largar à porta da igreja, já se tinham passado 3 semanas, já nos conheciamos, estávamos a ficar amigos.

Ao fim de mais 2 ou 3 semanas quando a cena das cólicas já está mesmo no limite e começo novamente a pensar em deixá-lo à porta da igreja, ele sorri... O sorriso dele é tão bom! Qualquer esboço de sorriso me deixa extasiada, faz-me esquecer os guinchos e berros de há minutos, a insegurança quando não o consigo acalmar com nada e começo a fantasiar que talvez não seja assim tão boa mãe... o sorriso dele é uma promessa de que está tudo a correr bem, de que tudo vai ficar bem, e lá se recomeça tudo de novo.



Esta é a sua expressão habitual, sempre com a fronha franzida.

Este é o pai quando tinha aproximadamente a idade que ele tem agora.

(Não há fotos da mãe porque mudámos de casa há pouco tempo, temos metade da nossa vida encaixotada e não consigo encontrar o álbum das minhas fotos).

Terça-feira, Abril 24, 2007

João




O meu filho nasceu a 18/4/07, às 16.12h, pesava 3.850 Kg e media 50 cm. É dorminhoco e mamão, gosta do banho e de música. É lindo!

Quarta-feira, Junho 21, 2006

Além Tejo

Sou uma alentejana recente mas estou cá há tempo suficiente para me aperceber do isolamento a que estamos votados: quem não tem carro não chega a lado nenhum. Para ir de Évora a Lisboa de comboio, por exemplo, são necessárias quase tantas horas como no século passado ou no anterior.

Há sempre o autocarro expresso, mas não se compara à magia da viagem ferroviária.

Apesar da triteza por ver as linhas abandonadas fiquei maravilhada com o novo uso que resultou de uma parceria entre a CP e a Câmara Municipal de Évora: transformaram-se numa ecopista.

Um ramal antes percorrido pelo comboio que fazia a viagem entre Évora e Mora, há muito desactivado, foi coberto de alcatrão (na zona urbana) e terra batida (na zona do campo) dando origem a uma pista que é percorrida por ciclistas, caminhantes, patinadores…

Aqui fica o link para a respectiva página, onde se pode ver um mapa do percurso:



http://www.cm-evora.pt/Ecopista/percurso.htm

Já a percorri várias vezes na minha bicicleta, a toda a bisga, mas da última vez resolvi caminhar e fotografar. Aqui ficam algumas fotos da linda paisagem por onde se pode passar:




(Continuo sem tempo para me abotoar (terei perdido o poder do botão?), mas com vontade de continuar a escrever aqui experiências, ideias, histórias…)

Quinta-feira, Junho 15, 2006

Um livro à 4ª

Após um longo interregno eis-me de regresso às lides bloguísticas. Desta vez para falar de um autor muito admirado (tanto que, só por ter sido escrito por ele, li um livro inteiro sobre futebol - inglês, sobre futebol inglês! e gostei).


O Nick Hornby tem uma escrita escorreita, com um enorme sentido de humor. Gosta de música e esta faz parte daquilo que escreve, há sempre referências a discos, bandas, canções, que ajudam a contextualizar as suas personagens.

Neste livro conta-nos a história de 4 pessoas com personalidades e vidas totalmente diferentes que se encontram por um motivo comum e desesperado - o suicídio. A partir daí desenrolam-se uma série de acontecimentos mais ou menos bizarros, que os levam a permanecer juntos (algo que parece altamente improvável até à última linha).

Apesar das diferenças entre eles (ou devido às diferenças?) e das tensões que estas geram, as suas vidas acabam por mudar.

Funny, sad and deeply moving, Nick Hornby's A Long Way Down is a novel that asks some of the big questions: about life and death, strangers and friendship, love and pain, and whether a group of losers, and pizza, can really see you through a long, dark night of the soul.

Este senhor é também o autor de High Fidelity (muito bom), 31 Songs (mais ou menos entusiasmante), About a Boy (divertido), How to be Good (este, muito deprimente), Fever Pitch (o do futebol), Speaking with the Angel (duríssimo).

PS: Obrigada Lia, pelo empréstimo a longo prazo.